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Estrias na gravidez: como prevenir e tratar

As estrias aparecem em 50 a 90% das gestantes. Veja por que surgem, o que realmente funciona para prevenir e como reduzir as estrias depois do parto.

Equipe Mama Ai

Atualizado 29 de junho de 2026 7 min de leitura
Estrias na gravidez: como prevenir e tratar

As estrias na gravidez aparecem na maioria das futuras mamães — segundo diferentes estimativas, em 50 a 90% delas. São aquelas linhas finas na pele da barriga, dos seios, das coxas ou dos glúteos, e no começo podem assustar. A boa notícia: as estrias são seguras para você e para o bebê, clareiam bastante com o tempo e, o mais importante, não são sinal de que você está fazendo algo errado. Neste artigo, vamos conversar com calma e de forma direta sobre por que as estrias surgem, quando e onde esperá-las, se dá para preveni-las com cremes e óleos (de forma honesta — o que a ciência diz) e quais métodos ajudam a reduzir as estrias depois do parto.

A prevenção das estrias na gravidez é um tema cercado de muito marketing e pouca evidência. Por isso, nos apoiamos nas recomendações de entidades médicas e em estudos clínicos, e não nas promessas estampadas nos potinhos.

O que são estrias e por que elas aparecem

As estrias (no termo científico, estrias gravídicas, striae gravidarum) são microrrupturas na camada intermediária da pele, a derme. É justamente ali que ficam as fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela firmeza e pela elasticidade da pele. Quando a barriga e os seios crescem depressa, essas fibras não conseguem se reorganizar a tempo e se rompem em alguns pontos. Por fora, a pele permanece íntegra, mas, na derme, formam-se finas “trilhas” — e é assim que enxergamos as estrias.

Não se trata apenas do estiramento mecânico. Durante a gravidez, o equilíbrio hormonal muda: aumentam os níveis de cortisol e de hormônios sexuais, o que afeta a produção de colágeno e a elasticidade da pele. Por isso, as estrias não surgem necessariamente onde a pele “esticou mais”, e não há como prever de antemão onde elas vão aparecer.

As estrias recentes costumam ser avermelhadas, rosadas ou arroxeadas — é a fase striae rubra (os vasos ainda são visíveis sob a pele). Com o tempo, os vasos se fecham e as linhas vão clareando até ficarem de um tom branco-prateado — são as striae alba. As estrias brancas já maduras são mais difíceis de tratar do que as vermelhas recentes, então faz sentido começar a cuidar da pele cedo, sem esperar que as linhas embranqueçam.

Quando e onde aparecem as estrias na gravidez

Na maioria das vezes, as estrias surgem no fim do segundo e no terceiro trimestre — mais ou menos entre a 25ª e a 34ª semana, quando a barriga cresce mais rápido. Em algumas mulheres elas não aparecem, em outras surgem em questão de poucas semanas. Os dois cenários são absolutamente normais.

Os locais mais comuns:

  • Barriga — as estrias na barriga são as mais frequentes na gravidez, sobretudo nas laterais e na parte de baixo.
  • Seios — por causa do crescimento das mamas.
  • Coxas, glúteos e quadris — onde o tecido gorduroso se acumula mais rápido.

Às vezes, as estrias recentes coçam um pouco ou ficam levemente elevadas — isso é normal e costuma estar ligado ao estiramento e ao ressecamento da pele. Mas, se a coceira for intensa, atingir as palmas das mãos e as plantas dos pés ou vier acompanhada de erupções na pele, conte ao seu médico: nesse caso não se trata de estrias, e vale a pena descartar outras condições da gravidez.

Quem tem mais risco — uma conversa honesta sobre os fatores

Aqui é importante falar com franqueza, porque existe muita culpa em torno das estrias. Na verdade, o fator decisivo é a genética, e não a “falta de cuidado”.

  • Hereditariedade. Se a sua mãe ou a sua irmã tiveram estrias na gravidez, a chance é maior. Esse é o principal e mais previsível fator.
  • Tipo e idade da pele. As características individuais do colágeno e da elastina fazem diferença.
  • Velocidade do crescimento da barriga e ganho de peso total. Quanto mais rápido e brusco a barriga cresce, mais a pele é esticada. Por isso, um ganho de peso suave e gradual é um dos poucos fatores sobre os quais você realmente consegue agir.
  • Gestação múltipla. Em uma gravidez de gêmeos, a barriga é maior e cresce mais rápido.
  • Estrias no passado — por exemplo, as que surgiram na adolescência ou em uma gestação anterior.

A velocidade e a quantidade de peso ganho estão diretamente ligadas ao risco de estrias, por isso vale acompanhar a faixa recomendada para o seu índice de massa corporal — falamos disso em detalhe no texto sobre o ganho de peso na gravidez por IMC e por semana. Não se trata de se privar de comida, e sim de um ganho tranquilo e constante, sem picos repentinos.

Prevenção das estrias na gravidez: o que realmente funciona

O principal a saber: nenhum creme ou óleo provou ser capaz de prevenir as estrias de forma confiável. Revisões sistemáticas de estudos mostram que, na média, os produtos mais populares não reduzem o risco de estrias em comparação com uma hidratação comum ou com nenhum cuidado. Isso não significa que cuidar da pele seja inútil — apenas que vale a pena ter expectativas realistas.

O que de fato faz sentido:

  • Hidratar a pele. Aplique creme ou óleo regularmente na barriga, nos seios e nas coxas. Não há provas de que isso elimine as estrias com garantia, mas a pele hidratada coça menos, fica mais macia e confortável, e um pequeno efeito preventivo é possível.
  • Ganho de peso gradual dentro da faixa recomendada — para que a pele se estique aos poucos.
  • Boa hidratação por dentro. Beber bastante líquido ajuda a manter a elasticidade da pele.
  • Alimentação equilibrada. Para sintetizar colágeno, a pele precisa de proteína, vitaminas C e E e zinco. O que pode e o que convém evitar durante a gestação a gente detalha no guia sobre alimentação na gravidez.
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Cremes e óleos: o que os estudos mostram

Se mesmo assim você quiser usar um produto “contra estrias”, aqui está um panorama honesto dos ingredientes sobre os quais mais perguntam:

  • Centella asiatica e ácido hialurônico — são os ingredientes com mais dados (ainda que limitados) a favor de uma certa redução do risco de estrias. Não é garantia, mas, entre as opções disponíveis, é a escolha mais bem fundamentada.
  • Óleo de amêndoas amargas com massagem. Em alguns estudos, as mulheres que aplicavam esse óleo com movimentos de massagem tiveram menos estrias. Tudo indica que a própria massagem importa tanto quanto o óleo.
  • Manteiga de cacau e azeite de oliva. São muito populares e gostosos de usar, mas, em ensaios clínicos, não mostraram vantagem sobre o placebo. Dá para usá-los pela hidratação e pelo conforto, mas não espere que protejam contra as estrias.

Repare em um detalhe que se repete: o efeito costuma estar ligado à massagem, e não a um produto específico. Alguns minutos por dia massageando suavemente o creme ou o óleo na pele são, ao mesmo tempo, hidratação e um ritual gostoso, que ajuda a perceber mais cedo as mudanças do corpo.

O que evitar durante a gravidez

De forma clara e direta: os retinoides — retinol, tretinoína e outros derivados da vitamina A de uso na pele —, assim como altas doses de vitamina A por via oral, são contraindicados na gravidez. Isso inclui muitos cremes “antienvelhecimento” contra estrias que levam retinoides na fórmula. O uso deles fica para depois do parto e do fim da amamentação. Se ficar em dúvida sobre a composição de um produto, mostre-o ao seu médico ou farmacêutico.

Tratamento das estrias depois do parto

Aqui também começamos por uma boa notícia: a maioria das estrias clareia bastante sozinha ao longo de 6 a 12 meses após o parto. As linhas vermelho-arroxeadas mais vivas vão ficando claras e menos perceptíveis — e muitas vezes isso já basta para que deixem de incomodar.

Se você quiser reduzi-las de forma mais ativa, há métodos que ajudam a tirar as estrias depois do parto e que só são usados fora da gravidez:

  • Tretinoína tópica (um retinoide) — pode melhorar o aspecto das estrias recentes, mas é usada apenas após a gravidez e o fim da amamentação e com indicação médica.
  • Terapia a laser — diferentes tipos de laser ajudam a uniformizar a cor e a textura da pele.
  • Microagulhamento (microagulhas que tratam a pele) — estimula a produção de colágeno.
  • Peelings químicos e procedimentos de radiofrequência (RF) — também são usados para melhorar a aparência das estrias.

Uma palavra sobre expectativas: nenhum método “apaga” as estrias por completo. Todos reduzem a visibilidade delas — uniformizam a cor e o relevo —, mas a estrutura de cicatriz na derme permanece. As estrias vermelhas recentes, no geral, respondem melhor ao tratamento do que as brancas antigas. Vale conversar sobre qualquer procedimento com um dermatologista, que vai avaliar o seu tipo de pele e indicar a opção mais adequada.

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Estrias são normais

Mais da metade das gestantes tem estrias e, somando as da adolescência e as ligadas ao peso, quase todo mundo tem em algum lugar do corpo. Não são um defeito nem o resultado de um cuidado “errado”: na maioria das vezes, quem decide é a genética. Para muitas mulheres, ajuda simplesmente mudar o olhar — enxergar as estrias como a marca do grande trabalho que o seu corpo realizou.

Em geral não há motivo para preocupação, mas vale mostrar as estrias ao médico se elas surgirem de forma muito rápida e extensa, sem relação com o crescimento da barriga, ou se vierem acompanhadas de coceira intensa, dor ou outros sintomas — para descartar outras condições.

Principais conclusões

  • As estrias são microrrupturas na derme causadas pelo estiramento rápido da pele; ocorrem em 50 a 90% das gestantes e, com o tempo, clareiam do vermelho ao branco.
  • Costumam aparecer entre a 25ª e a 34ª semana na barriga, nos seios, nas coxas e nos glúteos.
  • O principal fator de risco é a hereditariedade; o que dá para controlar é a suavidade do ganho de peso e o cuidado com a pele.
  • Nenhum creme provou prevenir as estrias de forma confiável; hidratação e massagem ajudam no conforto, e os ingredientes mais bem estudados são a Centella asiatica e o ácido hialurônico.
  • Retinoides e altas doses de vitamina A são contraindicados na gravidez.
  • Depois do parto, a maioria das estrias clareia sozinha; laser, microagulhamento, peelings e tretinoína reduzem, mas não eliminam totalmente as estrias.

Este artigo tem caráter informativo geral e não substitui a consulta médica individualizada. Para questões sobre cuidados com a pele, ganho de peso e quaisquer procedimentos durante e após a gravidez, procure o seu obstetra ou dermatologista.

Criado com IA e revisado pela equipe Mama Ai. Informação educativa — não substitui o aconselhamento médico profissional.

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