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Exercícios de Kegel pós-parto: como fazer certo

Perde urina ao espirrar ou sente peso embaixo? Veja o que acontece com o assoalho pélvico após o parto e como fazer os exercícios de Kegel corretamente.

Equipe Mama Ai

Atualizado 27 de julho de 2026 10 min de leitura
Exercícios de Kegel pós-parto: como fazer certo

Você espirrou, riu ou levantou o carrinho — e sentiu escapar um pouco de urina. Ou surgiu aquela sensação de peso e pressão na parte de baixo do abdômen, como se algo estivesse "descendo". Depois do parto, muitíssimas mulheres passam por isso, mas, por algum motivo, não é algo sobre o que se costuma falar. A boa notícia: isso não é o preço da maternidade nem algo com que você precise se conformar. O assoalho pélvico é feito de músculos, e músculos podem ser treinados — e os exercícios de Kegel continuam sendo a ferramenta de recuperação mais acessível.

Vamos por partes: o que acontece com os músculos da pelve durante a gravidez e o parto, por que surge a perda de urina, como fazer os exercícios de Kegel corretamente (é mais difícil do que parece), quando não vale a pena fazê-los e em quais casos é preciso procurar um médico ou fisioterapeuta especializado no assoalho pélvico.

O que é o assoalho pélvico e o que a gravidez e o parto fazem com ele

O assoalho pélvico é formado por várias camadas de músculos e ligamentos, esticados entre o osso púbico, os ísquios e o cóccix, como uma rede de descanso. Essa "rede" sustenta por baixo a bexiga, o útero e o reto, é responsável pelo funcionamento dos esfíncteres (os músculos circulares que seguram a urina e as fezes), participa das sensações sexuais e, junto com o diafragma e os músculos profundos do abdômen e das costas, forma um único "cilindro" muscular — o que os treinadores chamam de core.

Simple illustration of the pelvic floor muscles forming a hammock between the pubic bone and the tailbone that supports the pelvic organs

Durante a gravidez, essa rede recebe uma carga considerável. O útero com o bebê, a placenta e o líquido amniótico pesa alguns quilos, e tudo isso empurra para baixo dia após dia. Ao mesmo tempo, os hormônios (progesterona, relaxina) deixam o tecido conjuntivo mais mole e elástico — isso é necessário para o parto, mas reduz temporariamente o suporte. A postura também muda: o centro de gravidade se desloca para a frente, a lombar se curva mais e a distribuição da carga sobre os músculos da pelve se altera. É justamente por isso que muitas mulheres, ainda antes do parto, já apresentam escapes ao tossir e dores nas costas.

No parto por via vaginal, os músculos e tecidos do períneo se esticam muito mais do que o normal. Às vezes ocorrem lacerações ou é feita uma episiotomia, e nervos que controlam esses músculos podem ser afetados. O risco é maior quando o segundo período do parto é longo, quando o bebê é grande, quando há uso de fórceps ou de vácuo extrator, ou em lacerações de terceiro e quarto graus. Como os pontos cicatrizam e o que é considerado normal nas primeiras semanas, explicamos em detalhes no artigo sobre recuperação após o parto: lóquios, pontos e sinais de alerta.

Por que a cesárea não protege totalmente

A crença comum de que "depois da cesárea o assoalho pélvico fica intacto" só é verdade em parte. O estiramento dos tecidos durante o parto realmente é evitado, e o risco de alguns problemas é menor. Mas o assoalho pélvico viveu, de qualquer forma, nove meses de carga vertical e de mudanças hormonais — e são justamente elas que têm grande peso. Some-se a isso a cirurgia na parede abdominal, depois da qual os músculos profundos do abdômen passam a se ativar pior, o que faz todo o sistema de sustentação funcionar de maneira menos coordenada. Por isso, a perda de urina e a sensação de peso acontecem também depois da cesárea, e o treino dos músculos da pelve também é necessário nesse caso.

Perda de urina pós-parto: é comum e passa sozinha?

Na maioria das vezes, trata-se da incontinência urinária de esforço — aqui "esforço" significa não emoções, mas esforço físico. A urina escapa no momento em que a pressão dentro do abdômen aumenta de repente: ao espirrar, tossir, rir, pular, pegar o bebê ou uma bolsa no colo. Um assoalho pélvico enfraquecido ou que reage mal não consegue se contrair a tempo e manter o esfíncter fechado.

Segundo diferentes estimativas, cerca de uma em cada três mulheres enfrenta perda de urina nos primeiros meses após o parto, e esse é um dos problemas mais comuns — e, ao mesmo tempo, mais silenciados — do período pós-parto. Aqui é importante uma distinção honesta: comum não significa normal para sempre. Em muitas mulheres, os sintomas diminuem bastante ao longo dos primeiros três a seis meses, enquanto os tecidos cicatrizam e os músculos recuperam o tônus. Mas, se depois de 6 a 12 semanas nada muda, não vale a pena esperar "passar sozinho" — pode não passar.

E mais um pensamento pelo qual vale a pena ler até o fim: a incontinência tem tratamento em qualquer momento. Não só nos primeiros meses. Se o seu filho tem três anos, oito ou vinte, e você ainda corre para o banheiro e coloca um absorvente antes de sair para correr — os exercícios para os músculos da pelve e a ajuda de um especialista funcionam também agora. Um músculo treinável continua treinável.

Outros sintomas que vale a pena contar ao médico

A incontinência não é a única coisa que pode acontecer com o assoalho pélvico depois do parto. Vale conhecer também outras manifestações, para chamá-las pelo nome:

  • Incontinência de urgência — uma vontade repentina e quase incontrolável de urinar, na qual nem sempre você chega a tempo. O mecanismo é outro (uma bexiga hiperativa), e a abordagem de tratamento também é diferente.
  • Sensação de peso, de estufamento, de uma "bolinha" na vagina — especialmente no fim da tarde ou depois de um longo dia em pé. Assim pode se manifestar o prolapso (a descida das paredes da vagina, do útero ou da bexiga). Muitas mulheres procuram "exercícios para prolapso do útero", mas primeiro é preciso um exame: o grau da descida determina o que realmente vai ajudar.
  • Dor durante o sexo — uma dor que persiste por mais de alguns meses após o parto não deve ser descartada com um "você vai se acostumar". As causas podem ser várias: cicatriz após laceração ou episiotomia, ressecamento por causa da amamentação, tensão muscular excessiva.
  • Incontinência de gases ou de fezes — mesmo que ocasional. Esse não é um sintoma para treinar sozinha seguindo artigos da internet. Ele pode indicar uma lesão do esfíncter anal durante o parto e exige uma consulta presencial com o médico: quanto antes, mais opções de ajuda.

Exercícios de Kegel para mulheres: como fazer corretamente

Esta é a seção principal. Estudos mostram que o treino dos músculos do assoalho pélvico ajuda na incontinência pós-parto — mas com a condição de que a pessoa contraia exatamente esses músculos. Segundo a observação de especialistas, boa parte das mulheres que tentam os exercícios de Kegel pela primeira vez a partir de uma descrição os faz de forma errada: contrai a barriga, os glúteos ou, o que é pior de tudo, faz força para baixo.

Passo 1. Encontrar os músculos certos

Deite-se de costas, com os joelhos dobrados e os pés no chão — nessa posição é mais fácil sentir o movimento. Imagine que você precisa segurar os gases e, ao mesmo tempo, puxar para dentro algo pequeno com a vagina. O movimento deve ser para dentro e para cima, como se você puxasse suavemente o períneo em direção ao umbigo. A sensação é de um aperto ao redor da entrada da vagina e do ânus, além de uma leve elevação por dentro.

Como se autoavaliar:

  • Coloque uma das mãos sobre a barriga: ela deve permanecer mole, sem uma contração brusca do abdômen.
  • Coloque a outra mão sobre os glúteos ou a parte interna da coxa: eles não devem se ativar.
  • Você pode encostar os dedos no períneo — em uma contração correta, os tecidos vão para dentro, e não para fora.
  • Respire. Se você prendeu a respiração, isso já é um sinal de que algo está errado.
Illustration of a woman lying on her back with knees bent and feet flat, one hand on her lower belly, practising a pelvic floor exercise

Passo 2. Entender como é a contração correta

Um Kegel correto são duas ações igualmente importantes: a elevação e o relaxamento completo. O relaxamento não é menos importante que a contração: um músculo que não sabe soltar também não sabe funcionar direito. Depois de cada contração, dê a si mesma o mesmo tempo para que tudo lá embaixo "desça" de volta e fique mole.

Erros comuns que anulam o esforço:

  • Prender a respiração. Respire de forma regular: é mais confortável soltar o ar na elevação e inspirar no relaxamento.
  • Usar glúteos, abdômen e coxas. Se durante o "Kegel" você levanta a pelve ou junta os joelhos, foram os músculos grandes que se ativaram, e não o assoalho pélvico.
  • Fazer força para baixo. O erro mais prejudicial: em vez da elevação para cima, ocorre uma pressão para baixo, como no puxo do parto. Isso aumenta a carga sobre os ligamentos e pode piorar os sintomas de prolapso. Se você não tem certeza para onde vai o movimento, esse é o motivo para procurar um especialista, e não treinar no escuro.
  • Treinar "no jato". Interromper o jato de urina pode ser usado uma única vez, para descobrir onde estão os músculos certos, mas não como exercício: interromper o jato com frequência atrapalha o esvaziamento normal da bexiga.

Passo 3. Protocolo: quanto, com que frequência e quando esperar resultado

Um esquema que funciona combina dois tipos de contração — as lentas (para resistência) e as rápidas (para reagir a um espirro ou a uma tosse):

  • Contrações lentas mantidas: contraia e segure por 3 a 5 segundos, depois relaxe pelo mesmo tempo. Aos poucos, ao longo de algumas semanas, aumente a sustentação para 8 a 10 segundos. De 8 a 12 repetições.
  • Contrações rápidas: 10 apertos curtos de um segundo, com relaxamento completo entre eles.
  • Frequência: cerca de três séries por dia, todos os dias. Três séries curtas de 3 a 5 minutos rendem mais do que uma única sessão heroica por semana.
  • Progressão de posições: comece deitada, depois de uma ou duas semanas passe para os exercícios sentada e, em seguida, em pé — em pé é mais difícil por causa da força da gravidade.
  • Técnica de "antecipação": aprenda a contrair o assoalho pélvico antes de espirrar, tossir ou pegar o bebê no colo. É uma habilidade simples que, muitas vezes, reduz a perda de urina antes mesmo de a força dos músculos aumentar.

Geralmente, já é possível começar contrações suaves nos primeiros dias após o parto, se não doer — mesmo com pontos, um trabalho muscular leve melhora a circulação. As primeiras mudanças costumam aparecer depois de 6 a 12 semanas de prática regular, e não depois de alguns dias; um programa completo dura no mínimo três meses, e o ideal é manter os exercícios como hábito por anos.

A maior dificuldade aqui não é a força, e sim a regularidade e a contagem: é fácil se perder, se distrair com o bebê e esquecer em qual repetição você estava. No aplicativo Mama Ai existe, para isso, um treino de Kegel com cronômetro: ele avisa quando contrair e quando relaxar, para que você mantenha o ritmo e não precise contar de cabeça, e o progresso do treino aparece direto na tela de bloqueio. Isso não substitui a técnica correta — primeiro certifique-se de que está contraindo os músculos certos, e o cronômetro, então, ajuda a fazer isso de forma constante.

Quando os exercícios de Kegel não são indicados

Um detalhe importante que raramente aparece em artigos populares: nem todo assoalho pélvico precisa ser fortalecido. Existe a situação inversa — a hipertonia, quando os músculos já estão excessivamente tensos e não sabem relaxar. Nesse caso, contrações adicionais agravam o problema.

Você pode suspeitar disso se houver:

  • dor na vagina, no períneo ou na parte de baixo do abdômen, dor durante o sexo ou ao usar absorvente interno;
  • dificuldade para iniciar a micção, jato fraco ou interrompido, sensação de esvaziamento incompleto;
  • prisão de ventre com necessidade de fazer muita força, dor ao evacuar;
  • sensação de um "aperto" constante lá embaixo.

À parte — os sintomas de prolapso (saliência, peso, "bolinha"). Aqui os exercícios também podem ajudar, mas primeiro é preciso um exame, para entender o grau da descida e não treinar nas posições e com a carga que possam piorar a situação. A regra é simples: dor, saliência e problemas para esvaziar — primeiro a avaliação de um especialista, depois o programa.

Diástase dos músculos retos do abdômen: como verificar e a relação com o assoalho pélvico

A diástase pós-parto é o afastamento dos músculos retos do abdômen ao longo da linha média: durante a gravidez, o tecido conjuntivo entre eles se estica. Em algum grau, ela está presente em quase todas as mulheres no fim da gravidez, e em muitas se fecha sozinha nos primeiros meses.

Uma autoverificação simples: deite-se de costas, com os joelhos dobrados e os pés no chão. Coloque os dedos atravessados sobre a barriga, um pouco acima do umbigo, e levante a cabeça e os ombros, como no início de um abdominal. Com os dedos, você vai sentir uma fenda entre os músculos. Avalie quantos dedos cabem na largura e o quanto o "fundo" da fenda está firme. Repita na altura do umbigo e abaixo dele. Um espaço mais largo do que cerca de dois dedos, a sensação de uma cova mole ou uma "cúpula" que se projeta pela linha média quando você faz força — é motivo para procurar um especialista.

O assoalho pélvico e a parede abdominal funcionam como um único sistema: o diafragma em cima, os músculos profundos do abdômen na frente, o assoalho pélvico embaixo. Se a parede da frente não segura a pressão, ela vai para baixo — sobre o assoalho pélvico. Por isso os abdominais clássicos e as pranchas nos primeiros meses muitas vezes não são a melhor ideia: começa-se pela respiração, pela ativação suave do músculo transverso do abdômen e pelo Kegel, e só depois se acrescenta carga.

Quando procurar um médico ou fisioterapeuta do assoalho pélvico

Marque uma consulta se:

  • a perda de urina persistir 3 meses após o parto ou não diminuir nada;
  • houver incontinência de gases ou de fezes — em qualquer quantidade e a qualquer momento;
  • você sentir ou ver uma saliência na entrada da vagina, ou um peso que aumenta no fim da tarde;
  • o sexo continuar doloroso por mais de alguns meses;
  • você não conseguir sentir a contração dos músculos ou não tiver certeza de que faz os exercícios corretamente;
  • surgirem ardência, dor ao urinar, vontade frequente, urina turva ou febre — assim pode se manifestar uma infecção urinária, parecida com uma cistite, e quem trata é o médico;
  • houver dor na pelve ou na lombar que atrapalhe as atividades do dia a dia;
  • voltar de repente um sangramento abundante ou surgirem corrimentos com odor desagradável.

O fisioterapeuta do assoalho pélvico (na prática, também chamado de fisioterapeuta pélvica ou uroginecológica) pode avaliar como os músculos funcionam, flagrar um padrão incorreto, montar um programa individual e usar métodos como o biofeedback. Isso não é uma "medida extrema", e sim uma etapa comum da recuperação — em muitos países, essa consulta faz parte do acompanhamento pós-parto de rotina.

Hábitos do dia a dia que ajudam o assoalho pélvico

  • Não treine "no jato". Interromper a micção é uma forma de verificação, mas não um exercício.
  • Não segure e nem vá ao banheiro "por via das dúvidas". Os dois extremos desregulam o funcionamento da bexiga. Beba água suficiente: a urina concentrada irrita mais a bexiga.
  • Mantenha as fezes macias. Fazer força com frequência é uma carga direta sobre o assoalho pélvico e uma causa frequente de hemorroidas. Ajudam as fibras, a água, o movimento e um apoio para os pés no banheiro; os princípios são os mesmos da prisão de ventre durante a gravidez.
  • Levante peso na expiração. Soltar o ar no momento do esforço e contrair antes o assoalho pélvico reduz a pressão para baixo. Nas primeiras semanas, não convém levantar nada mais pesado que a cadeirinha do carro com o bebê.
  • Volte ao esporte aos poucos. Caminhada, exercícios de respiração e Kegel — desde as primeiras semanas; musculação e corrida com saltos — mais tarde, geralmente não antes de 3 meses e só quando não houver perda de urina nem sensação de peso. A lógica é a mesma dos treinos durante a gravidez: ouvir o corpo e aumentar a carga por etapas. Perda de urina durante a corrida é um sinal para dar um passo atrás, e não para insistir.
  • Trate a tosse prolongada e a alergia. Uma tosse que dura semanas é uma carga mecânica séria sobre o assoalho pélvico.
  • Dê a si mesma tempo e apoio. A recuperação do corpo caminha junto com a recuperação da mente; se você está completamente sem forças e o humor não se estabiliza, veja os sinais da depressão pós-parto — isso também tem tratamento.

O principal

  • O assoalho pélvico é uma "rede" muscular que sustenta os órgãos da pelve; durante a gravidez e o parto ele recebe uma grande carga, e a cesárea não protege totalmente disso.
  • A perda de urina ao espirrar e ao rir nos primeiros meses após o parto é comum, mas comum ≠ normal para sempre: essa condição tem tratamento tanto depois de um ano quanto depois de dez.
  • Um Kegel correto é uma elevação para dentro e para cima, com relaxamento completo depois, com a barriga mole, os glúteos tranquilos e a respiração regular. Fazer força para baixo piora.
  • Esquema que funciona: contrações lentas mantidas por até 8 a 10 segundos, de 8 a 12 repetições, mais 10 contrações rápidas, cerca de três vezes por dia; as primeiras mudanças aparecem em 6 a 12 semanas.
  • Em caso de dor, saliência, dificuldade para urinar ou incontinência de gases e fezes, primeiro procure o médico, em vez de treinar por conta própria.
  • A diástase é verificada com um teste simples deitada; a parede abdominal e o assoalho pélvico se recuperam juntos, por isso os abdominais e as pranchas ficam para depois.

Este material tem caráter informativo geral e não substitui a consulta individual com um médico. Se você está preocupada com sintomas relacionados ao assoalho pélvico, converse sobre eles com seu obstetra-ginecologista, urologista ou fisioterapeuta do assoalho pélvico.

Criado com IA e revisado pela equipe Mama Ai. Informação educativa — não substitui o aconselhamento médico profissional.

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