Ir para o conteúdo
Voltar ao Diário

Febre em bebê e criança: o que fazer e quando ir ao médico

O que é febre no bebê, como medir a temperatura corretamente, quando e como baixar a febre e quais sinais exigem procurar o médico com urgência.

Equipe Mama Ai

Atualizado 23 de julho de 2026 8 min de leitura
Febre em bebê e criança: o que fazer e quando ir ao médico

Quando a temperatura do seu bebê sobe, o coração de qualquer pai ou mãe aperta: a gente quer entender na hora se é perigoso e o que fazer. A boa notícia é que, na maioria das vezes, a febre no bebê não é uma doença em si, e sim uma reação de defesa natural do organismo, que está combatendo uma infecção. Mas há situações, especialmente nos primeiros meses de vida, em que não dá para esperar.

Neste artigo vamos ver com calma e passo a passo: o que é considerado febre em bebê, como medir a temperatura corretamente, com o quê e quando baixar a febre, o que não se deve fazer de jeito nenhum e — o mais importante — por quais sinais é preciso procurar o médico com urgência.

O que é considerado febre no bebê: valores normais e febre

A temperatura corporal normal do bebê costuma ficar entre 36,5–37,5 °C e varia um pouco ao longo do dia: mais baixa de manhã, mais alta à noite, e pode subir levemente depois de chorar bastante, mamar ou usar roupa quente. Por isso, 37,2 °C isolados em um bebê ativo e alegre ainda não são motivo para preocupação.

Falamos em febre quando a temperatura sobe acima de certo limite. É importante lembrar que esse limite depende de onde você mede — por isso a dúvida sobre "a partir de quanto é febre" tem respostas diferentes:

  • No reto (retal) — febre a partir de 38,0 °C. É o método mais preciso em crianças de até 3 anos.
  • Na axila (axilar) — febre a partir de mais ou menos 37,5 °C; esse método mostra 0,3–0,5 °C a menos que a temperatura real.
  • No ouvido ou na testa — em torno de 38,0 °C, mas esses métodos são menos precisos nos menores.

A temperatura de 37,1–37,9 °C costuma ser chamada de subfebril — pode acompanhar infecções leves, o nascimento dos dentes ou o superaquecimento. Considera-se alta a temperatura acima de 39 °C. Ainda assim, guarde a principal regra dos pediatras: não importam tanto os números em si, mas sim como o bebê está se sentindo.

Como medir a temperatura corretamente por idade

A precisão da medição depende da idade e do método. As orientações gerais são estas:

  • Até 3 meses — o padrão-ouro é a medição retal com termômetro digital: é o que reflete melhor a temperatura real do corpo. A axila serve para uma verificação rápida, mas, em caso de dúvida, confirme pelo reto.
  • 3 meses a 4 anos — serve o termômetro retal ou axilar; os termômetros de ouvido (timpânicos) são usados a partir de mais ou menos 6 meses.
  • Acima de 4–5 anos — dá para medir na boca (oral), na axila ou no ouvido.

Alguns conselhos práticos: use um termômetro digital, não o de mercúrio (os de mercúrio são perigosos se quebrarem); para a medição retal, lubrifique a ponta com creme infantil e introduza pouco, segurando o bebê com firmeza; não meça a temperatura logo após o banho, o choro ou a mamada — espere 20–30 minutos.

Parent gently measuring a baby's temperature with a digital thermometer at home

Sinais de alerta: quando procurar o médico com urgência

Há situações em que o importante não é o cuidado em casa, e sim um exame rápido com um especialista. Procure o médico imediatamente ou chame o SAMU (192) se:

  • O bebê tem menos de 3 meses e a temperatura retal é de 38,0 °C ou mais. Nesses bebês, qualquer febre é motivo para procurar ajuda com urgência, mesmo que ele pareça tranquilo. O sistema imunológico do recém-nascido ainda é imaturo, e a infecção pode evoluir muito rápido.
  • O bebê está difícil de acordar, prostrado, sonolento demais ou, ao contrário, chora sem parar e não se consegue acalmá-lo.
  • Surgiu na pele uma erupção que não empalidece ao pressionar (faça o teste do copo: pressione um copo transparente sobre a erupção — se as manchas não somem, é um sinal preocupante).
  • Há sinais de desidratação: pouca urina (fralda seca por mais de 6–8 horas), choro sem lágrimas, lábios secos, moleira afundada.
  • Respiração difícil ou acelerada, retração entre as costelas, gemência, lábios arroxeados.
  • Ocorreu uma convulsão.
  • A febre persiste por mais de 3 dias (72 horas) ou passa de 40 °C, ou ainda quando já tinha passado e voltou.
  • Rigidez de nuca, dor de cabeça forte, vômitos repetidos.

A respiração difícil junto com febre no bebê às vezes está ligada a infecções virais das vias respiratórias — veja mais no artigo sobre bronquiolite e VSR no bebê. Na dúvida, é melhor ligar para o médico: mais vale perguntar de novo do que perder tempo.

Com o quê e quando baixar a febre

Baixar a febre não é para deixar um "número bonito" no termômetro, e sim para aliviar o mal-estar do bebê. Se ele está ativo, brinca e bebe líquidos, uma temperatura em torno de 38,3–38,5 °C pode não precisar ser baixada. Já se ele está prostrado, sofrendo, recusa líquidos — o antitérmico (remédio para febre) faz sentido mesmo com números mais baixos.

Para crianças, são permitidos dois princípios ativos:

  • Paracetamol (acetaminofeno) — usado desde os primeiros meses de vida, com orientação médica.
  • Ibuprofeno — em geral a partir de 3–6 meses; não é dado em caso de desidratação e de algumas condições, por isso, nos bebês pequenos, apenas após consultar o médico.

A dose é calculada pelo peso da criança, não pela idade: como referência, o paracetamol é dado na base de cerca de 10–15 mg por quilo de peso por dose, e o ibuprofeno, cerca de 5–10 mg/kg. Mas a dose exata, a forma (xarope, supositório) e de quanto em quanto tempo pode repetir devem ser conferidas na bula do medicamento específico ou com o pediatra — a superdosagem é perigosa.

Nunca dê aspirina (ácido acetilsalicílico) ao seu filho: em crianças, ela está associada à síndrome de Reye — uma lesão rara, mas grave, do fígado e do cérebro. Também não alterne paracetamol e ibuprofeno por conta própria "na corrida" — esse esquema só o médico prescreve; caso contrário, é fácil errar a dose.

O que não fazer: métodos perigosos e mitos

Muitos "métodos caseiros" não só não ajudam, como fazem mal. Deixe-os de lado:

  • Fricções ou banho com álcool ou vinagre. O álcool e o vinagre são absorvidos pela pele delicada do bebê e podem causar intoxicação, e o resfriamento brusco provoca espasmo dos vasos e calafrios.
  • Agasalhar demais. "Suar debaixo de três cobertores" é uma péssima ideia: sob roupa quente, o corpo superaquece e a temperatura sobe. Vista o bebê com roupa leve.
  • Banhos frios e compressas geladas — provocam tremores, que só fazem a temperatura subir mais.
  • Dietas de "jejum" e alimentação forçada. O apetite costuma diminuir com a febre — isso é normal. Mais importante é a hidratação, não a quantidade de comida.

Vale desfazer também alguns mitos comuns. Primeiro, o nascimento dos dentes não causa febre alta: uma leve elevação até 37,5 °C é possível, mas atribuir uma febre de 38,5–39 °C aos dentes não dá — procure outra causa. Contamos em detalhes o que de fato acontece na dentição no artigo sobre o nascimento dos dentes do bebê. Segundo, o quanto a febre sobe não indica a gravidade da doença: uma infecção viral leve pode dar 39 °C, enquanto uma mais séria pode ocorrer quase sem febre. Guie-se pelo estado geral do bebê.

Convulsão febril: como é e o que fazer

As convulsões febris (por febre) ocorrem em cerca de 2–5% das crianças de 6 meses a 5 anos, num quadro de febre alta. Assustam bastante: a criança perde a consciência, o corpo enrijece ou se contrai ritmicamente, o olhar "some" e os lábios podem ficar arroxeados. Costumam durar menos de 1–2 minutos. Apesar do quadro assustador, as convulsões febris simples, em geral, não são perigosas e não prejudicam o cérebro.

Se isso acontecer:

  • Mantenha a calma e anote a hora em que a crise começou.
  • Deite a criança de lado sobre uma superfície plana e segura, e afaste objetos duros de perto.
  • Não coloque nada na boca nem tente segurar ou "desprender" a língua.
  • Não dê remédios nem água pela boca durante a crise.

Chame o SAMU (192) se a convulsão durar mais de 5 minutos, se repetir, se a criança tiver menos de 6 meses, se depois da crise ela demorar muito a se recuperar ou se estiver com dificuldade para respirar. Mesmo que a crise tenha sido curta e passado sozinha, o primeiro episódio de convulsão deve ser comunicado ao médico.

Cuidados em casa: líquidos, rotina e conforto

Enquanto o organismo combate a infecção, a sua tarefa é criar condições em que o bebê fique mais confortável. O principal é a hidratação: com febre, o corpo perde mais líquido. No bebê, ofereça o peito com mais frequência ou dê a fórmula; nas crianças maiores, dê água, suco ou chá morno em pequenas porções, mas com frequência.

Mother feeding her baby to keep them hydrated during a mild fever

Vista o bebê com roupa leve, mantenha o quarto numa temperatura agradável de 18–22 °C e bem arejado. Não obrigue a criança a ficar deitada se ela quiser brincar — a atividade conforme o bem-estar é permitida. Se o bebê está irritado e é difícil acalmá-lo, a causa nem sempre é a febre — para investigar outras fontes de desconforto, ajuda o nosso material sobre cólica em recém-nascidos. E lembre-se: não é preciso medir a temperatura a cada meia hora — basta acompanhar o bem-estar e repetir a medição se houver piora.

Principais conclusões

  • O normal no bebê é 36,5–37,5 °C; febre é a partir de 38,0 °C no reto (na axila, a partir de cerca de 37,5 °C).
  • Febre de 38,0 °C ou mais em bebê com menos de 3 meses é motivo para procurar o médico com urgência.
  • Até os 3 meses, meça a temperatura pelo reto com termômetro digital — é o método mais preciso.
  • Baixe a febre conforme o bem-estar, não pelo número; são permitidos o paracetamol e (em geral a partir de 3–6 meses) o ibuprofeno, com a dose pelo peso e pela bula.
  • Nunca dê aspirina nem use fricções com álcool ou vinagre.
  • Sinais de alerta: prostração, erupção que não empalidece, sinais de desidratação, dificuldade para respirar, convulsões, febre por mais de 72 horas.
  • As convulsões febris assustam, mas em geral não são perigosas; deite a criança de lado, marque o tempo e chame o SAMU (192) se a crise durar mais de 5 minutos.

Este artigo tem caráter informativo geral e não substitui a consulta médica personalizada. Diante de qualquer dúvida sobre o estado do seu filho, procure o seu pediatra ou o pronto-socorro.

Criado com IA e revisado pela equipe Mama Ai. Informação educativa — não substitui o aconselhamento médico profissional.

Estamos com você em cada semana dessa jornada

Baixar na App Store

Continue lendo