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Anemia na gravidez: hemoglobina baixa, o que fazer

A anemia na gravidez é comum. Entenda os valores de hemoglobina e ferritina, os sintomas, os alimentos ricos em ferro e como aumentar a hemoglobina com segurança.

Equipe Mama Ai

Atualizado 28 de junho de 2026 8 min de leitura
Anemia na gravidez: hemoglobina baixa, o que fazer

Se em um exame de sangue recente você viu a hemoglobina baixa ou a ferritina baixa — ou simplesmente sente cansaço constante, tontura e falta de ar, e está pálida — saiba que você não está sozinha. A anemia na gravidez é muito comum: segundo estimativas da OMS, cerca de 40% das futuras mães no mundo passam por ela. Na maioria dos casos é uma anemia ferropriva (por falta de ferro), que responde bem à correção com alimentação e suplementos de ferro.

Neste artigo vamos explicar com calma e de forma objetiva: quais valores de hemoglobina e ferritina são considerados normais por trimestre, por que a hemoglobina baixa na gravidez é tão frequente, por quais sintomas suspeitar dela, quais são os riscos, como é feito o diagnóstico e, principalmente, como aumentar a hemoglobina com segurança.

O que é anemia e por que ela é tão comum na gravidez

A hemoglobina é uma proteína presente nos glóbulos vermelhos (hemácias) que transporta oxigênio dos pulmões para todos os tecidos, incluindo a placenta e o bebê. A anemia é a condição em que há hemoglobina ou hemácias em quantidade insuficiente, e os tecidos recebem menos oxigênio. A causa mais comum na gravidez é a falta de ferro, a partir do qual o organismo produz a hemoglobina.

Por que justamente a gravidez favorece tanto a anemia:

  • O volume de sangue aumenta cerca de 40 a 50%. A parte líquida do sangue (o plasma) cresce mais rápido do que o número de hemácias, então a hemoglobina naturalmente fica um pouco "diluída" — é o chamado declínio fisiológico.
  • O bebê precisa de ferro. O bebê em crescimento e a placenta retiram ativamente ferro das suas reservas, especialmente no segundo e no terceiro trimestres.
  • As reservas muitas vezes já estão esgotadas antes da gravidez — por menstruações intensas, gestações muito próximas umas das outras ou uma alimentação pobre em ferro.

Por isso, a necessidade de ferro durante a gravidez quase dobra, e só a alimentação às vezes não é suficiente.

Valores normais de hemoglobina e ferritina na gravidez

Para entender o que é considerado "baixo", o exame de sangue ajuda. Veja os parâmetros nos quais os médicos se baseiam (os valores de referência exatos dependem do laboratório).

Valores normais de hemoglobina por trimestre

Pelos critérios da OMS e do CDC, fala-se em anemia na gravidez quando o nível de hemoglobina cai abaixo de:

  • 1º trimestre: abaixo de 110 g/L;
  • 2º trimestre: abaixo de 105 g/L;
  • 3º trimestre: abaixo de 110 g/L.

Fora da gravidez, o limite inferior da hemoglobina normal em mulheres costuma ser cerca de 120 g/L, por isso os valores "da gestação" são um pouco mais baixos — algo esperado pelo aumento do volume de sangue.

Ferritina — a reserva de ferro do organismo

A hemoglobina mostra o quadro "do aqui e agora", enquanto a ferritina reflete as reservas de ferro. A ferritina pode cair antes de a hemoglobina baixar, por isso ela ajuda a identificar a deficiência em fase inicial. Um nível de ferritina abaixo de 30 µg/L costuma indicar falta de ferro, mesmo quando a hemoglobina ainda está normal. É justamente por isso que muitos médicos avaliam o valor da ferritina nas mulheres junto com o hemograma completo.

Sintomas da hemoglobina baixa na gravidez

A anemia leve muitas vezes não apresenta sintomas evidentes e só é descoberta nos exames. Quando a hemoglobina cai de forma mais acentuada, podem surgir:

  • cansaço e fraqueza constantes, falta de energia mesmo depois de descansar;
  • tontura, zumbido no ouvido, "moscas volantes" diante dos olhos;
  • falta de ar e batimentos cardíacos acelerados em esforços comuns;
  • palidez da pele, dos lábios e da parte interna das pálpebras;
  • dores de cabeça, dificuldade de concentração;
  • sensação de frio, mãos e pés gelados;
  • às vezes, vontade incomum de comer gelo, giz ou terra (chamada de perversão do apetite, ou pica).

Muitas dessas sensações se confundem facilmente com os acompanhantes habituais da gravidez, por isso não vale a pena confiar apenas no que você sente — quem dá a palavra final é o exame de sangue.

Quais são os riscos da anemia para a mãe e o bebê

A anemia leve costuma ser fácil de corrigir, e não há motivo para preocupação. Mas a anemia importante ou não tratada não deve ser ignorada, porque está associada a um risco aumentado de:

  • cansaço intenso, que atrapalha a recuperação após o parto;
  • parto prematuro e baixo peso do bebê ao nascer;
  • maior perda de sangue no parto e recuperação mais demorada;
  • baixas reservas de ferro no bebê nos primeiros meses de vida;
  • depressão pós-parto (segundo alguns estudos).

A boa notícia: o tratamento no momento certo reduz bastante esses riscos. Por isso a anemia não é algo para "aguentar" calada, e sim para corrigir junto com o médico — assim como são acompanhadas outras condições da gravidez, como o diabetes gestacional ou a pré-eclâmpsia.

Como a anemia é diagnosticada: quais exames

A anemia é identificada por um exame de sangue comum, feito em todas as gestantes várias vezes ao longo da gravidez — muitas vezes na mesma consulta em que se verificam a glicemia e a pressão arterial.

  • Hemograma completo: mostra a hemoglobina, o hematócrito, o número e o tamanho das hemácias. Hemácias pequenas e pálidas são típicas da deficiência de ferro.
  • Ferritina: avalia as reservas de ferro; é o indicador mais precoce e sensível da deficiência de ferro.
  • Adicionalmente, o médico pode solicitar ferro sérico, transferrina, vitamina B12 e folato para entender a causa da anemia.

Com base nesses resultados, o médico vai determinar se há anemia, quão acentuada ela é e o que a causou — e disso depende o tratamento.

Como aumentar a hemoglobina: alimentação e ferro nos alimentos

A alimentação é a base da prevenção e do tratamento das formas leves de anemia. O ferro dos alimentos é de dois tipos, e eles são absorvidos de maneiras diferentes.

Flat-lay of iron-rich foods for pregnancy: red meat, lentils, chickpeas, kidney beans, spinach, pumpkin seeds, dried apricots and citrus

Ferro heme e ferro não heme

O ferro heme é o que tem melhor absorção e está presente em alimentos de origem animal: carnes vermelhas, fígado, aves e peixes. O ferro não heme vem dos alimentos vegetais: lentilha, feijão, grão-de-bico, tofu, espinafre, sementes de abóbora, damasco seco, além de cereais enriquecidos com ferro. Ele é absorvido com mais dificuldade, mas seu papel é importante, especialmente em uma alimentação vegetariana.

O fígado é muito rico em ferro, mas contém muita vitamina A, por isso recomenda-se que as gestantes o consumam com moderação. Falamos com mais detalhes sobre o que pode e o que não pode comer em um artigo à parte sobre alimentação na gravidez.

O que melhora e o que atrapalha a absorção do ferro

Para o ferro dos alimentos ser melhor absorvido:

  • Acrescente vitamina C. Pimentão, frutas cítricas, kiwi, frutas vermelhas e tomate junto a uma fonte de ferro aumentam bastante a absorção do ferro não heme.
  • Combine o ferro vegetal com uma pequena quantidade de carne ou peixe — isso também melhora a absorção.

Já o que atrapalha a absorção do ferro, e por isso é melhor consumir em horários separados dos alimentos e suplementos que contêm ferro:

  • chá e café (taninos) — não os tome logo após uma refeição rica em ferro;
  • cálcio e laticínios, assim como suplementos de cálcio — tome-os separados do ferro;
  • grande quantidade de alimentos com farelo e fitatos em uma mesma refeição.

Suplementos de ferro: como tomar e quando o ferro na veia é necessário

Se só a alimentação não for suficiente, o médico pode prescrever suplementos de ferro. Alguns pontos práticos (a dose e o medicamento específicos são definidos apenas pelo médico):

  • Os comprimidos de ferro são melhor absorvidos em jejum ou com uma fonte de vitamina C, mas, se irritarem muito o estômago, podem ser tomados durante a refeição.
  • Não tome o ferro com chá, café ou leite, e não o tome junto com cálcio.
  • Efeitos colaterais comuns são prisão de ventre, náusea e fezes escuras. A cor escura das fezes durante o uso de ferro é normal e não é perigosa.
  • Há indícios de que tomar em dias alternados às vezes é mais bem tolerado e tem absorção igualmente boa — converse sobre esse esquema com o seu médico.

O ferro intravenoso (na veia) é usado quando os comprimidos não fazem efeito, são mal tolerados, em anemia importante ou quando falta pouco tempo para o parto. Em casos graves, mais próximo do parto, pode-se considerar a transfusão de sangue — mas isso é raro.

Anemia por deficiência de ácido fólico e B12

O ferro não é a única causa de anemia. Para a formação de hemácias saudáveis também são necessários o ácido fólico (vitamina B9) e a vitamina B12. A falta deles provoca outro tipo de anemia, em que as hemácias ficam grandes.

O ácido fólico é especialmente importante no início da gestação — ele reduz o risco de defeitos do tubo neural no bebê, por isso recomenda-se tomá-lo já antes da concepção e no primeiro trimestre. Falamos sobre isso em detalhe no artigo sobre ácido fólico na gravidez. A vitamina B12 está presente principalmente em alimentos de origem animal, por isso, em uma alimentação vegetariana ou vegana, vale a pena monitorar o seu nível e, se necessário, fazer suplementação.

Quando procurar o médico com urgência

Avise o seu médico sobre qualquer resultado de exame com hemoglobina ou ferritina baixas — ele vai indicar o plano. Procurar ajuda mais rápido ou com urgência é importante se houver:

  • falta de ar acentuada em repouso ou dor no peito;
  • batimentos cardíacos acelerados ou irregulares;
  • desmaios ou tontura intensa;
  • pele muito pálida associada a fraqueza repentina;
  • qualquer sangramento durante a gravidez.

Pontos principais

  • A anemia na gravidez é uma das condições mais comuns; na maioria das vezes é deficiência de ferro, e ela se corrige bem.
  • Fala-se em anemia quando a hemoglobina está abaixo de ~110 g/L no 1º e no 3º trimestres e abaixo de ~105 g/L no 2º; a ferritina abaixo de 30 µg/L aponta a falta de ferro antes mesmo de a hemoglobina cair.
  • Os sintomas típicos são cansaço, tontura, falta de ar e palidez; mas a anemia leve muitas vezes só aparece nos exames.
  • Para aumentar a hemoglobina ajudam os alimentos ricos em ferro mais a vitamina C; chá, café e cálcio atrapalham a absorção.
  • A dose dos suplementos de ferro, a necessidade de ferro na veia e a verificação de B12 e folato são definidas pelo médico.

Este artigo tem caráter informativo geral e não substitui uma consulta médica individualizada. Sobre os seus exames, sintomas e o tratamento da anemia, procure o seu obstetra ou clínico geral.

Criado com IA e revisado pela equipe Mama Ai. Informação educativa — não substitui o aconselhamento médico profissional.

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