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Desejos na gravidez: por que dá vontade de sal e doce

Picles às duas da manhã? É normal. Entenda por que dá vontade de sal e doce na gravidez, o que os desejos significam de verdade e quando se preocupar.

Equipe Mama Ai

Atualizado 3 de agosto de 2026 9 min de leitura
Desejos na gravidez: por que dá vontade de sal e doce

Duas da manhã. Você está parada em frente à geladeira aberta, considerando muito seriamente um sanduíche de picles — ou se pega pensando que seria capaz de atravessar a cidade inteira atrás de um sorvete específico, de uma marca específica. Soa familiar?

Os desejos de comida são talvez a característica mais comentada e, ao mesmo tempo, mais inofensiva da gravidez. As pessoas fazem piada, transformam em superstição e todos os parentes adoram comentar ao mesmo tempo. A boa notícia: na grande maioria dos casos, isso é totalmente normal e não faz nenhum mal ao bebê. Vamos entender por que dá vontade de comer sal, doce e azedo na gravidez, quando esses desejos começam, o que eles significam de verdade (spoiler: muito menos do que se costuma pensar) — e em qual único caso vale mesmo a pena contar ao médico o que você está sentindo.

Pregnant woman smiling in front of an open refrigerator at night, holding a jar of pickles

Quando começam os desejos na gravidez

Não existe um calendário fixo, mas em muitas mulheres o quadro é parecido:

  • Primeiro trimestre. A vontade costuma aparecer mais ou menos na mesma época em que o olfato muda e o enjoo chega — geralmente por volta da 5ª à 8ª semana.
  • Segundo trimestre. O auge. O enjoo diminui, o apetite volta e os desejos ficam mais intensos e específicos.
  • Terceiro trimestre. Em muitas mulheres a vontade vai enfraquecendo aos poucos — além disso, a azia e o útero maior dificultam comer grandes porções.

Depois do parto, na maioria das mulheres os desejos vão embora tão de repente quanto surgiram, e o picles tão desejado de ontem volta a ser apenas picles.

Isso é comum? Segundo diferentes estudos, de metade a nove em cada dez grávidas relatam ter pelo menos um desejo alimentar marcante. Ou seja, se você sente uma vontade irresistível de algo específico, está em companhia muito, muito grande.

Por que dá vontade de comer sal, doce e azedo na gravidez

A resposta honesta: a ciência ainda não entende tudo. Não há uma explicação única, mas várias plausíveis — e, muito provavelmente, elas funcionam juntas.

Hormônios

No primeiro trimestre, o hCG (gonadotrofina coriônica), o estrogênio e a progesterona sobem muito rápido, e isso afeta tanto o apetite quanto a percepção de sabor e cheiro. Em parte por isso a vontade é mais forte justamente no começo da gravidez e costuma diminuir quando essa montanha-russa hormonal se acalma.

O olfato e o paladar funcionam de um jeito novo

Muitas mulheres percebem que o faro ficou quase canino: o cheiro de café do apartamento vizinho ou o perfume de uma colega são detectados na hora. O paladar também muda — a comida de sempre de repente parece sem graça e sem gosto. Daí a vontade de sabores marcantes: bem salgado, bem azedo, bem doce, apimentado. Essa é talvez a parte mais simples e mais convincente da explicação.

Sono, estresse e simples hábito

A falta de sono e o cansaço, por si só, aumentam a vontade de comida calórica — isso vale também fora da gravidez. Some a isso a ansiedade, as oscilações de humor e o fato de que comer é a forma mais rápida e fácil de se confortar, e a vontade de doce no fim do dia deixa de ser um mistério.

Cultura e expectativas

Um detalhe curioso: o conjunto de desejos «típicos» varia de país para país. No Brasil, costuma-se falar em vontade de coisas azedas — manga verde com sal, limão — e de combinações inusitadas; nos Estados Unidos, sorvete e chocolate; no Japão, arroz. Se desde criança você ouve que grávida sente vontade de comer azedo, aumenta bastante a chance de notar justamente essa vontade em você e chamá-la de «desejo».

O outro lado: aversão a alimentos

As aversões alimentares fazem parte da mesma história, só que do avesso. Carne, café, cebola, alho, fritura e às vezes até o prato preferido — só o cheiro já pode embrulhar o estômago. As aversões são até mais comuns do que os desejos e costumam andar de mãos dadas com o enjoo do primeiro trimestre. Se algum alimento está insuportável agora, basta deixá-lo de lado por alguns meses e escolher um substituto com nutrientes parecidos: se a carne não desce, valem peixe, ovos, feijão e outras leguminosas, ricota e iogurte.

Dois mitos sobre os desejos em que quase todo mundo acredita

Mito 1. «Vontade de salgado é menino; de doce, menina»

A crendice é simpática e todo mundo adora comentar. Mas os estudos não a confirmam: acertar o sexo do bebê pelas preferências alimentares tem mais ou menos a mesma precisão de jogar uma moeda para o alto. A lógica aqui é meio ao contrário: a gente lembra muito bem dos casos em que «bateu certo» e esquece tranquilamente os que não bateram.

Quem mostra o sexo de forma confiável é o ultrassom do segundo trimestre e o teste pré-natal não invasivo feito a partir do sangue da mãe — falamos em detalhe sobre prazos e precisão no artigo sobre quando e como saber o sexo do bebê. Já a vontade de salgado, deixe para as discussões em família: é ótimo motivo para brincadeira e péssima fonte de dados.

Mito 2. «O corpo sabe do que está precisando»

A ideia parece lógica, mas se sustenta mal. Se o corpo realmente mandasse um sinal preciso de carência, na falta de ferro daria vontade de fígado e carne vermelha, e na falta de cálcio, de leite e queijo. Na prática, a vontade é de sorvete, salgadinho, refrigerante e pão doce — ou seja, de comida doce, salgada e gordurosa, e não de algo rico em um nutriente específico.

Disso vêm duas conclusões tranquilas. A primeira: não é preciso se sentir culpada por querer comer um docinho — isso não é um «defeito do corpo» nem um sinal de alerta. A segunda: também não dá para usar isso para justificar qualquer escolha — «se estou com vontade, é porque o corpo precisa» não substitui uma alimentação equilibrada e os suplementos indicados pelo médico. Há uma exceção importante a essa regra — e é sobre ela o próximo tópico.

Quando dá vontade de comer giz, gelo ou terra: o que é a pica

A pica (ou picamalacia) é a vontade de comer aquilo que não é comida: giz, gelo, argila, terra, amido cru ou de lavanderia, papel, cinza, areia, pasta de dente, borra de café. À parte, existe a pagofagia — o desejo compulsivo de mastigar gelo, a forma mais comum entre as grávidas. Esse tipo de vontade é mais frequente do que parece: as estimativas variam de país para país, de alguns por cento até um terço das gestantes.

É o único tipo de «desejo» sobre o qual realmente é preciso avisar o médico. Não porque tenha acontecido algo grave, mas porque ele costuma ter uma causa clara e fácil de verificar.

Por que isso importa

A vontade de comer coisas não comestíveis costuma vir junto com a deficiência de ferro e a anemia na gravidez, e às vezes com a deficiência de zinco. A relação de causa e efeito ainda não está totalmente clara, mas aparece de forma consistente nos estudos: em muitas mulheres, a vontade de mastigar gelo ou giz desaparece algumas semanas depois que as reservas de ferro se recuperam. Por isso o primeiro passo sensato não é lutar contra si mesma na força de vontade, e sim fazer exames: hemograma completo (hemoglobina) e ferritina, que mostra justamente as reservas de ferro.

O que é realmente perigoso

  • Argila, terra e areia — possível fonte de parasitas, bactérias e metais pesados, incluindo chumbo.
  • Lascas de tinta e reboco (principalmente em casas antigas) — risco de chumbo, que é perigoso para o sistema nervoso em formação do bebê.
  • Amido de lavanderia, giz e grandes quantidades de qualquer coisa não comestível — sobrecarregam o intestino, podendo causar prisão de ventre grave e até obstrução; além disso, essas substâncias atrapalham a absorção de ferro, e o ciclo se fecha.
  • Gelo — em si é só água e é seguro, embora prejudique o esmalte dos dentes. Mas, se a vontade de mastigá-lo é constante, é uma boa dica para checar o ferro.

O que fazer

Contar isso ao médico com tranquilidade e sem vergonha na próxima consulta — é uma situação muito comum, e ninguém vai julgar você. A partir daí, o médico decide se são necessários suplementos de ferro, em qual forma e em qual dose; não vale a pena receitá-los por conta própria — o excesso de ferro também não é seguro.

Uma pergunta frequente: «estou com vontade de giz, como substituir?» A resposta honesta: não existe um substituto seguro para o giz, e o giz de farmácia ou «comestível» não resolve o problema, porque em geral a questão não é o giz em si. Enquanto você espera a consulta e os resultados dos exames, dá para atender à vontade de algo gelado e crocante: frutas congeladas, pedacinhos de melancia ou banana congelada, palitos de cenoura e de pepino, uvas congeladas, torradas integrais crocantes. Isso é trabalhar a textura e o hábito, não é tratamento — mas ajuda a atravessar algumas semanas sem culpa.

Como lidar com a vontade sem estragar a alimentação

A regra principal: não é preciso guerrear contra a vontade. A proibição rígida quase sempre termina em recaída e culpa — e nenhuma dessas duas coisas faz falta na gravidez. O que funciona é outra estratégia: substituir, e não proibir.

Substituições que funcionam de verdade

Snack swaps compared: crisps and sugary sweets beside popcorn, nuts, yoghurt with berries and frozen banana with dark chocolate
  • Vontade de salgado: no lugar do pacote de salgadinho — pipoca sem óleo, torradas salgadas, batatas assadas em fatias com uma pitada de sal, castanhas sem sal que você mesma salga (assim usa menos sal), pepino com um pedaço de queijo pasteurizado. Não é preciso restringir o sal de propósito na gravidez, mas, se surgirem inchaços ou o médico estiver acompanhando a sua pressão, converse sobre a quantidade de sal na consulta.
  • Vontade de doce: banana congelada, tâmaras com uma castanha dentro, iogurte com frutas, maçã assada com canela, um quadradinho de chocolate amargo depois do jantar. O truque: junte proteína ou gordura ao doce (iogurte, ricota, castanhas) — assim o açúcar no sangue sobe de forma mais suave e a vontade vem menos e com menos frequência.
  • Vontade de azedo: romã, kiwi, frutas cítricas, água com limão e hortelã, chucrute, suco natural sem açúcar. Legumes em conserva também valem, mas lembre-se do sal e da azia.
  • Vontade de picante: comida apimentada não é proibida na gravidez. Só fique de olho na azia: ela piora no segundo e no terceiro trimestre, então é melhor comer o apimentado em porção pequena, não à noite, e não se deitar logo depois de comer.
  • Vontade de algo gelado e crocante: picolé feito de suco de verdade, frutas congeladas, melancia gelada, sementes, castanhas, palitinhos de legumes.

Truques de porção e de horário

  • Sirva uma porção no prato e tire a embalagem do campo de visão — direto do pacote a gente come bem mais do que queria.
  • Regra dos 15 minutos: bateu a vontade, beba água e ocupe-se com outra coisa por um quarto de hora. A vontade costuma vir em ondas e passar sozinha. Se não passar, coma — isso não é derrota.
  • Primeiro a comida de verdade, depois o desejo. Uma fatia de bolo depois de um almoço normal e uma fatia de bolo no lugar do almoço são histórias bem diferentes.
  • Compre embalagens pequenas, e não estoque para a semana: a decisão é tomada uma vez só, no mercado.
  • Coma a cada 3 ou 4 horas e inclua proteína em cada refeição. Uma grávida com fome quase sempre quer o mais doce e o mais salgado — isso é fisiologia, não falta de força de vontade.

Água, sono e um pouco de gentileza consigo mesma

A sede se disfarça facilmente de fome e de vontade — tente começar com um copo de água. A falta de sono aumenta o hormônio da fome e puxa para o calórico, então aquela hora «a mais» de sono às vezes funciona melhor do que qualquer força de vontade. E o mais importante: dois biscoitos não arruínam a gravidez. O panorama geral da alimentação ao longo da semana importa muito mais do que uma noite. Se a velocidade do ganho de peso preocupa, é mais útil conversar com o médico do que criar proibições: falamos em um artigo à parte sobre o que pode e o que não pode comer na gravidez.

Se a vontade é justamente do que agora não pode

Às vezes a vontade é exatamente daquilo que entrou na lista de restrições. Aqui vão alguns contornos seguros:

  • Sushi de peixe cru → rolinhos com recheio cozido: camarão, enguia, kani, além de abacate, pepino, tofu; de peixe, opte pelo defumado a quente ou assado.
  • Bife malpassado, tartar, carne curada → carne bem passada com um molho marcante; muitas vezes a vontade é justamente do sabor do molho e dos temperos.
  • Queijos moles de leite não pasteurizado e queijos com mofo → os mesmos tipos feitos com leite pasteurizado ou assados até ficarem bem quentes.
  • Muito café → o ACOG considera aceitável até cerca de 200 mg de cafeína por dia (mais ou menos uma xícara de café); o resto dá para completar com descafeinado, chicória, cacau ou chá de ervas liberado pelo médico.
  • Álcool → não existe dose segura na gravidez, então prefira as versões sem álcool, limonadas com limão e hortelã. Se a vontade de álcool for forte e obsessiva, avise o médico sem falta — é um assunto normal de conversa, não motivo de vergonha.

Quando procurar o médico

Os motivos não são muitos, mas vale conhecê-los:

  • Vontade de comer coisas não comestíveis — gelo, giz, argila, terra, amido, papel — mesmo que você tenha «só mordiscado um pouquinho».
  • Vontade acompanhada de fraqueza, tontura, palidez, falta de ar em esforços comuns, queda de cabelo e unhas quebradiças — vale checar a hemoglobina e a ferritina.
  • Sede que aumentou de repente, desejo constante de doce, urina frequente, cansaço acentuado — não é motivo de pânico, mas com certeza é motivo para não faltar ao teste de tolerância à glicose de rotina (geralmente entre a 24ª e a 28ª semana) e contar os sintomas ao médico.
  • Aversões tão fortes que você quase não consegue comer ou está perdendo peso.
  • A vontade parece uma perda de controle: episódios de compulsão, forte sensação de culpa, pensamentos sobre comida ocupando o dia inteiro.

O essencial

  • Os desejos na gravidez são um fenômeno muito comum e quase sempre inofensivo: mais da metade das futuras mães relatam senti-los.
  • A vontade costuma aparecer no primeiro trimestre, atingir o auge no segundo e enfraquecer no terceiro, e depois do parto em geral passa.
  • As causas são variadas: hormônios, olfato e paladar aguçados, cansaço e estresse, expectativas culturais. A ciência ainda não tem uma explicação única.
  • Não dá para adivinhar o sexo do bebê pelos desejos — isso é crendice, não método.
  • «O corpo sabe do que precisa» é uma ideia bonita com provas fracas: a vontade costuma ser de doce e salgado, e não de algo rico em ferro ou cálcio.
  • O único sinal realmente importante é a vontade de comer coisas não comestíveis (pica). Ela costuma estar ligada à deficiência de ferro: conte ao médico e faça hemoglobina e ferritina.
  • A melhor tática é substituir, não proibir: porção no prato, proteína em cada refeição, alimentação regular, água e sono.

Este artigo tem caráter informativo geral e não substitui a consulta médica. Se você tiver dúvidas sobre alimentação, exames ou como está se sentindo durante a gravidez, converse com o seu obstetra.

Criado com IA e revisado pela equipe Mama Ai. Informação educativa — não substitui o aconselhamento médico profissional.

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